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Blog Memória Futebol


90 anos da lenda, Airton Fontenele

Autor: José Renato - 27/01/2017   Comentários Nenhum comentário

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Janeiro de 1986, estava com a minha mãe no Center Um, pequeno shopping center localizado no bairro da Aldeota na capital alencarina, quando me encontrei com meu tio avô, Walter Sátiro. Dono de um sorriso encantador e um conquistador inveterado, ele se dirigiu a mim, um mirrado adolescente, e falou: “estava te procurando, ia até ligar para sua mãe. Tenho o livro de um amigo meu que quero lhe dar.” Confesso que não consegui acreditar que alguém poderia me presentear com um livro, mas ele logo completou de forma ainda mais entusiasmada: “este meu amigo sabe tudo sobre futebol e o livro dele fala sobre todas as Copas do Mundo.” Pois é, ao falar futebol, ele ligou os meus olhos.

Saímos de lá e fomos até a sua casa pegar o livro “Seleção das Seleções” de Aírton Silveira Fontenele. Uma obra que consumiu boa parte da minhas férias e que me fez fã daquele senhor, que jamais ousara a conhecer. Sabia, por exemplo, que anos antes, coubera a ele corrigir a CBF sobre o número de jogos do campeão mundial Jairzinho. Sob o argumento de promover sua centésima partida com a camisa canarinha, o atacante foi convocado por Telê Santana para o amistoso da seleção brasileira diante a Tchecoslováquia, em 3 de março de 1982, no estádio do Morumdi, empatado em 1 a 1. Não demorou muito para que, de forma cirúrgica, Seo Airton identificasse o equívoco nos cálculos oficiais. Virou notícia em vários jornais pelo Brasil, destaque na revista Placar e ganhou, desde então, a amizade de João Havelange, o manda chuva da FIFA. Por conta disso, sempre o tive em meus sonhos. O quão genial seria aquele homem?

Anos depois, já em 2002, fui presenteado com uma ligação sua, me convidando para visitar a sala João Saldanha, um verdadeiro tesouro para qualquer fã do esporte bretão. Fui ao seu encontro. O tamanho daquele sorriso me tornou ainda mais seu fã. A atenção com que me apresentou todo seu acervo e a forma cuidadosa com que fazia questão com que me sentisse como se estivesse em minha própria casa, me remeteu ao longo sorriso do meu tio avô, já falecido, e todo o seu entusiasmo. Ao final da visita, fez questão que eu autografasse uma tela ao lado de grandes astros do futebol mundial que já visitaram aquele espaço. Me assustei com este pedido e perguntei para ele: “Seo Airton, quem sou para assinar junto com tantos astros”. De imediato, ele me desarmou respondendo “Você é meu amigo”. Não poderia ser mais doce.

Sempre atento, sua dedicação a história da seleção brasileira é algo único jamais encontrado em quaisquer dos maiores apaixonados pelo nosso futebol. Certa vez, me confidenciou a forma artesanal como mantém seus dados sempre atualizados e corretos. Algo incrível. Tenho a felicidade de ter todos os seus livros em meu acervo, alguns deles valiosos por seu autográfo, mas o mais importante dele está em meu coração, a certeza de poder contar com sua amizade, apesar da distância e de tantos obstáculos que ela acabe por provocar.

Como diria nosso amigo saudoso, em comum, Cristiano Santos, “Parabéns Airton Fontenele do Brasil”.  


 

 

Do Céu ao Inferno ao Céu, as trajetórias de grandes equipes brasileiras

Autor: José Renato - 20/12/2016   Comentários Nenhum comentário

Considerando as 12 maiores equipes do futebol brasileiro, apenas 4 delas, jamais foram rebaixadas, são elas, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Bem, mas isso tudo mundo já deve saber.

A queda do Internacional, este ano, justamente cerca de 10 anos depois de conquistar o Mundial de Clubes da FIFA, em 2006, marcou uma trajetória rápida do Céu ao suposto Inferno.

Ainda assim se formos considerar as maiores ‘ladeiras’ futebolísticas, a do Colorado é menos increme daquelas caminhadas pelo Corinthians, que foi rebaixado, em 2007, cerca de 8 anos depois de conquistar seu primeiro mundial, em 2000, e a do seu maior rival, o Grêmio, que após levantar seu mundial, em 1983, caiu para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro em 1991, por volta de 7 anos e meio depois, o que rende ao Imortal Tricolor, a queda mais vertiginosa.

As quedas, no entanto, dependem também, do ápice vivido por cada clube. Neste caso, a mais vertiginosa delas pertence ao Palmeiras, cuja maior conquista, a Taça Libertadores, aconteceu em 1999, por volta de 3 anos e meio antes de seu primeiro rebaixamento em 2002. Outra equipe que conquistou a Libertadores, em 1998, o Vasco da Gama, caiu pouco mais de uma década depois.

Abaixo a tabela das 8 equipes, considerando, como critério para contagem do intervalo entre “o céu e o inferno”, as  datas de conquista de seus maiores títulos e as datas da última partida disputada na edição de seus primeiros rebaixamentos da Série A do Campeonato Brasileiro.

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Mas há sempre o outro lado.

Uma vez que o que é abraçado como algo temerário, pode, realmente significar novos tempos.

Para isso basta lembrarmos que Corinthians e Atlético conquistaram, pela primeira vez, a Taça Libertadores, em 2012  e 2013,  justamente, depois de passaram pela Série B do Brasileiro.

No caso do alvinegro paulista em um período de 5 anos, a equipe chegou ao topo do mundo, o que significa a maior ascenção. Outro crescimento de destaque coube ao Grêmio, que em um período de apenas 4 anos, viveu seu primeiro rebaixamento para depois conquistar a sua segunda Taça Libertadores, em 1995. Já o Galo mineiro caminhou a mesma trajetória em pouco mais de 7 anos.

Abaixo, a tabela das caminhadas “Do Inferno ao Céu”.

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A queda do ‘Imortal’ Colorado

Autor: José Renato - 12/12/2016   Comentários 1 comentários

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.

Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno.

Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11.

Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols).

Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar.

Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

O Internacional jogava demais.

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

A vitória colorado no entanto significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

Creio que, até mesmo, para muitos colorados, nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

Também por conta disso, que entre as 5 equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também, sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, as quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

Uma pena.



 

 

Fala Galvão Bueno, fale muito e muito mais.

05/12/2016   Comentários 1 comentários

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Sim, ele fala muito.

Mas o que poderíamos esperar de uma pessoa que trabalha com comunicação?

Pois é.

Desde muito tempo costumeiramente fazia parte de uma maioria silenciosa que sempre entendeu ser ele o melhor de todos os narradores.

Isto mesmo, maioria.

Inegável que o fato de um profissional se manter, por mais de três décadas, como a grande voz de uma das maiores emissoras do mundo, já seria o suficiente para se comprovar sua excelência.

Ainda que uma insignificante minoria, mas muito ruidosa, costume propagar pontos de vista contrários, dos quais respeito, ainda que para isso use frases mal educadas, tais como “CalaBocaGalvão”, jamais entendi minimamente a razão por tal postura, por uma única questão, para mim, Galvão sempre foi muito f...

Particularmente, foi com a sua voz que meu time coquistou o primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em um raro momento quando esteve fora da Rede Globo.

Antes disso, foi com ele, que a Formula 1 nacional viveu seu melhor momento, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. “Como assim?” podem perguntar alguns, usando como argumento o fato dele não estar dirigindo os carros de nossos campeões mundiais. Pois é, com Galvão narrando, “na ponta dos dedos”, sempre me senti pilotando cada um deles. Certamente por isso, todos fomos tão campeões nestas conquistas.

Na verdade, serão quase infinitos os exemplos de eventos esportivos que se tornaram maiores por conta de sua narração. Ou alguém realmente acha emocionante quando dois lutadores ensanguentados ficam trocando sopapos em uma briga de rua chamada de forma rebuscada por MMA? Pois até mesmo estas lutas se tornam um show sob sua narração.

Cabe aqui o mais singelo respeito a todos os demais narradores brasileiros, uma área em que o nosso país tem um dos terrenos mais ferteis, o que torna descabível a citação de nomes, uma vez que certamente haveria a injustiça na falta de algum, no entanto, entendo que Galvão esteja em um outro patamar, algo parecido quando fazemos comparações entre Pelé e os demais grandes jogadores da história do futebol mundial.

Desde as primeiras horas do fatídico acidente do avião da Chapecoense, na madrugada de segunda para terça feira da semana passada, passando por sua presença no jornal matutino da Rede Globo, bem como ao longo de toda programação, culminando na narração de um velório, algo por mais de inacreditável, tamanha foi a emoção que claramente o invadia, assim como a todos, e finalizando em uma narração do suposto título da Copa Sul Americana ao final do programa Fantástico, no último domingo, o que se viu foi o ápice da performance de um narrador, tamanho foi seu envolvimento pessoal apenas menor que a excelência demonstrada.

Sem medo de errar, assim como o mundo costuma usar a ‘palavra’ Pelé, como forma de elogiar um profissional que se sobressai em sua profissão, creio que seja factível que mais que nunca a ‘palavra’ Galvão Bueno tenha o mesmo significado.

Fala, para sempre, Galvão, que orgulho ser seu contemporâneo.



 

 

O maravilhoso Cisco Kid, Mário Sérgio

Autor: José Renato - 30/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu em 7 de setembro de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. De família muito humilde foi criado no bairro das Laranjeiras, próximo ao Fluminense, clube do qual seu pai era sócio, e onde jogou futebol de salão por cerca de sete anos. Eram tempos dificeis e embora tenha se destacado, a necessidade de colocar dinheiro em casa o fez largar as quadras em troca do trabalho em uma empresa de processamento de dados.

O amor pelo futebol, no entanto, era maior, e em 1969, foi levado para fazer testes no Flamengo, que logo o contratou. Sua grande habilidade de driblar chegou a ser motivo de preocupação para a comissão técnica rubro negra, sobretudo do técnico Yustrich, que achava que ele segurava muito a bola, em outras palavras, ‘um fominha’. Dono de uma personalidade forte, Mário Sérgio também não perdia a oportunidade de mostrar, fora de campo, como ele era. Aproveitava, como poucos, a vida, sempre com seus cabelos longos e roupas muito coloridas. Isso não passou em vão para Yustrich. Autoritário, o técnico não demorou a bater de frente com ele, e não perdia a chance de chamá-lo de boneca. Mário Sérgio também não deixava por menos e costumava aprontar das suas com o técnico. Depois de muitas brigas, no entanto, Yustrich levou a melhor, ao convencer a diretoria da equipe carioca para que cedesse Mário Sérgio ao Vitória da Bahia.

Em um tempo quando o futebol brasileiro era, mais que nunca, concentrado no eixo Rio-São Paulo, Mário Sérgio surpreendeu a todos ganhando destaque nacional ao defender as cores do rubro negro baiano. Campeão estadual em 1972, ganhou a Bola de Prata, premiação promovida pela Revista Placar, como melhor de sua posição nos campeonatos brasileiros de 1973 e 1974. Suas grandes atuações levaram Francisco Horta, presidente do Fluminense, a trazê-lo de volta ao Rio, mais precisamente para atuar na “ A Máquina”, como ficou conhecida uma das maiores equipes da história do clube. De volta onde tudo começou para ele, ganhou um novo apelido, Vesgo, por conta do hábito de “olhar para um lado e tocar a bola para o outro”. Ainda que tenha sido campeão carioca em 1975, em um time cheio de craques, não costumava aceitar ser sacado do clube, o que sempre foi um grande problema. Acabou sendo cedido ao Botafogo.

Entre os anos de 1976 e 1979 fez parte do time do camburão, apelido dado pelo jornalista botafoguense Roberto Porto, por conta da presença de jogadores polêmicos, todos com a ‘chave da cadeia’, como o próprio Mário Sérgio, Dé, Paulo César Lima, Renê, Perivaldo e tantos outros. No meio de tantos amigos, sobrou pouco tempo para jogar bola e não brilhou de forma tão intensa com a camisa do alvinegro da Estrela Solitária. Foi para o Rosário Central da Argentina, onde foi sozinho, sem a esposa, que acabara de começar seus estudos na faculdade, o que fez sua estadia em terras portenhas ser muito breve, apesar de cheia de atos de indisciplina. Ficou por muito pouco tempo, apenas 4 meses, e logo voltou ao Brasil, a pedido de Paulo Roberto Falcão, para atuar no Internacional. Aliás, para o Rei de Roma, Mário Sérgio foi o jogador mais técnico com quem jogou.

No Colorado, comandado pelo técnico Enio Andrade, Mário Sérgio renasceu. Foi um dos grandes responsáveis pela conquista do único título brasileiro invicto, em 1979. Atacante inteligente, com habilidade única para atuar no meio campo e colocar o bola onde queria, voltou a ganhar a Bola de Prata em 1980 e 1981, o que proporcionou sua contratação pelo São Paulo, outra equipe que tinha como apelido, “A Máquina”. Chegou no Morumbi e conseguiu o que seria improvável, ganhar a posição de um dos maiores atacantes do clube, Zé Sérgio, até então titular da seleção brasileira do técnico Telê Santana.

No tricolor paulista, foi um do grandes nomes da equipe campeã paulista daquele ano. Cracaço de bola em campo, temperamental fora dele. Na final do segundo turno do campeonato paulista, na partida frente ao São José, no Vale do Paraíba, após a torcida local cercar o onibus da equipe, ele abriu a janela e sacou alguns tiros para cima. Dispersão desfeita, a delegação tricolor pode sair das cercanias do estádio Martins Pereira. O episódio fez com que o jornalista Silvio Luiz o desse o apelido de ‘Cisco Kid’. Seu bom futebol o levou a vestir a camisa canarinha. No entanto, sua fama de indisciplinado, fez com que Telê não o levasse para a Copa do Mundo de 1982. No Morumbi também teve atritos com José Poy e foi cedido a Ponte Preta.

Após um curto período na equipe campineira, a pedido do técnico Valdir Espinosa foi contratado pelo Grêmio para atuar na final do Mundial Interclubes de 1983. Foi o cérebro daquela equipe que conquistou o título mundial diante a equipe alemã do Hamburgo, com uma épica vitória por 2 a 1, com gols de Renato Gaúcho. Logo no ano seguinte estaria de volta ao Beira Rio para defender o Internacional. Desta vez ficou por pouco tempo e ainda naquele ano foi contratado pelo Palmeiras, onde viveu uma grande fase. Jogou demais com a camisa alviverde e foi o grande comandante da equipe que liderou boa parte do campeonato paulista daquele ano. Voltou, até mesmo, a ser, novamente, convocado para a seleção brasileira. Tudo ia muito bem, até que acabou sendo pego no exame anti-doping no clássico diante o São Paulo em 9 de setembro de 1984. Suspenso, o fato também afetou a performance do Palmeiras, que perdeu fôlego na competição. Deixou o Parque Antarctica em 1985.

Passou pelo Botafogo de Ribeirão Preto e pela equipe suíça do Bellinzona, até chegar ao tricolor da Boa Terra, o Bahia, em 1987. Se despediu do futebol no meio de muita polêmica, algo tão natural para ele. No dia 4 de outubro, no intervalo da partida diante o Goiás, válida pelo campeonato brasileiro, entrou no vestiário, trocou de roupa e disse que encerraria ali sua carreira. Anos depois, já com a camisa da seleção brasileira de Master, mostrou que poderia ter desfilado seu talento pelos gramados ainda por muito tempo.

Mário Sérgio foi um jogador brilhante, um dos maiores do seu tempo. Espetacular como atacante e meio campista. Dono de seus pensamentos e de suas palavras, o que, certamente impediu que muitos técnicos soubessem utilizar o seu melhor.   



 

 

O Tiziu, Paulo Isidoro

22/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Paulo Isidoro de Jesus nasceu em 3 de julho de 1953 na cidade mineira de Matosinhos. O menino de origem humilde começou no futebol com apenas 9 anos na equipe infantil do Cruzeirinho. Ao se mudar com a família para Belo Horizonte passou a atuar no Ideal, clube amador do Bairro das Graças. Atuando no meio campo, acabou chamando a atenção do massagista do Atlético Mineiro, Irineu, que o convidou para fazer um teste no clube que tinha como técnico da equipe principal Barbatana.

Dono de um preparo físico invejável, com muita disciplina tática e com perfeição no passe, Paulo Isidoro se destacou, por ser um ótimo “garçom”, pois servia bem aos atacantes, e acabou ganhando uma vaga nos juvenis do Galo. Foi neste tempo que ganhou o apelido de “tiziu”, nome de um pássaro preto e arredio.

Em 1974, com 21 anos, sem chances na equipe titular, passou a ser considerado como “moeda de troca” para ser utilizada em outras contratações no clube. Naquele tempo, o Atlético mantinha uma parceria com o Nacional de Manaus, para onde mandava atletas que não costumavam ser utilizados na equipe principal em troca de colocá-los para atuar. Desta forma, poderia chamar atenção de prováveis interessados em contratá-los. Sua estreia no clube amazonense aconteceu em 29 de setembro de 1974 na goleada por 3 a 0 frente ao Fast em partida válida pelo campeonato amazonense. Embora tenha começado na reserva, entrou no lugar de Bibi, filho do campeão mundial Didi, e marcou um dos gols da vitória nacionalina. Campeão amazonense daquele ano, suas atuações, ainda que boas, não chegaram a empolgar e tão logo o campeonato acabou, ele voltou ao Atlético.

Ainda reserva precisou esperar mais algum tempo para ter uma chance na equipe principal. Ela veio com a convocação do titular, Marcelo Oliveira, para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Pan-americanos da Cidade do México, por decisão do técnico Telê Santana que identificou qualidades únicas naquele incansável meio campista que segundo ele, sabia, como poucos, sair com a bola dominada de forma rápida. Seu estilo de jogo se adaptou com perfeição ao do centroavante Reinaldo e não saiu mais do time. O bicampeonato mineiro em 1975 e 1976 acabou por lhe render a primeira convocação para a seleção brasileira pelas mãos do técnico Osvaldo Brandão, para disputar partida amistosa frente um combinado formado por atletas do Flamengo e Fluminense, em 31 de janeiro de 1977 e que acabou empatado por 1 a 1.

As expectativas eram muito boas para aquele ano, uma vez que passou a ser figura constante na seleção que se preparava para a Copa do Mundo de 1978 e, além disso, era um dos destaques do Atlético Mineiro que fazia uma campanha impecável no campeonato brasileiro daquele ano. Tudo ia muito bem, até que acabou barrado, pelo técnico Barbatana, que voltara ao Galo, da equipe titular justamente nas partidas decisivas da competição nacional, realizadas já no começo de 1978. Para Barbatana, Marcelo era o titular e ele, o reserva. A perda do titulo para o São Paulo foi surpreendente assim como o esquecimento do técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, que não o levou para a Copa da Argentina.

Novamente campeão mineiro em 1978, foi negociado com o Grêmio em 1979, em uma troca pelo ponta-esquerda Eder. Atuando no tricolor gaúcho, Paulo Isidoro se tornou em um elemento indispensável para a equipe, uma referência que acabou por provocar seu retorno a seleção brasileira, comandada por um velho conhecido Telê Santana.  Bicampeonato gaúcho de 1979 e 1980, Paulo Isidoro teve participação decisiva na conquista do primeiro titulo nacional dos gremistas, o campeonato brasileiro de 1981, ao marcar os dois gols da vitória de virada, por 2 a 1, frente ao São Paulo na primeira partidas das finais, realizada no estádio Olímpico em 30 de abril de 1981. Além disso, ganhou a Bola de Ouro, prêmio promovido pela revista Placar, como o melhor jogador da competição.

Presença obrigatória em todas as convocações da seleção de Telê passou a ser o décimo segundo jogador, aquele que entrava em todas as partidas. Com a expulsão de Toninho Cerezo, na partida, válida pelas eliminatórias, frente à Bolívia, em 22 de fevereiro de 1981, e sua suspensão para a partida de estreia na Copa do Mundo de 1982, contra a União Soviética, tudo indicava que ele seria o titular. Apesar de contar com sua confiança, Telê preferiu improvisar Dirceu numa posição em que jamais o escalara antes. Ao final do primeiro tempo, Paulo Isidoro entrou no lugar de Dirceu, que a partir daquele momento não voltou mais a equipe, e foi um dos responsaveis pela vitória brasileira de virada por 2 a 1. O meio campista continuou como reserva na competição, mas sempre entrando no decorrer das partidas, o que só não aconteceu na vitória frente a Argentina por 3 a 1. Foi um dos poucos atletas poupados de críticas por conta da prematura e trágica eliminação frente a Itália. Também foi um dos poucos a continuar a ser convocado imediatamente depois dela, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira em 1983. Ao todo atuou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, sofrendo apenas duas derrotas.

Nesta época foi contratado pelo Santos, onde continuou a surpreender a todos sobretudo por demonstrar uma incrível vitalidade para um atleta que já chegara aos 30 anos, algo considerado muito raro naquela época. Sempre atuando de forma cerebral e praticamente sem errar passe, foi o escolhido o melhor meio-campista do campeonato brasileiro de 1983, e peça importante para o vice-campeonato brasileiro conquistado pela equipe alvinegra, bem como pelo titulo paulista de 1984, que deu fim a um incomodo tabu de 6 anos, em uma momento inesquecível para a sua carreira, por conta da morte do pai, na véspera da partida vencida por 1 a 0 frente o Corinthians em 2 de dezembro de 1984. É de arrepiar a cena da comemoração do gol de Serginho, com Paulo Isidoro desabando em campo com as mãos erguidas para o céu.

Ainda voltaria ao Galo no ano seguinte, para ser bicampeão mineiro em 1985 e 1986. Ao final da temporada de 1987, se despediria de vez do clube onde tudo começou, para atuar no Guarani de Campinas, onde continuaria com os holofotes virados em sua direção. Aos 35 anos de idade foi um dos destaques da equipe bugrina que chegou ao vice-campeonato paulista de 1988. Quase que interminável ainda atuaria no XV de Jaú, Cruzeiro e Internacional de Limeira, onde encerrou a carreira já com 39 anos.

Paulo Isidoro foi um profissional exemplar cuja longevidade de uma carreira vitoriosa serve para comprovar o atleta único que foi, um trabalhador incansável em campo e um dos grandes nomes da historia do futebol brasileiro. 



 

 

Ali, o Pelé do Boxe, já Pelé...

13/06/2016   Comentários Nenhum comentário

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Jamais vi Pelé em campo, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira. Jamais vi Muhammad Ali no ringue, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira. Ouvi nos últimos dias alguém afirmar que Ali foi maior que Pelé. Um equívoco pleno. Primeiro que para exaltar alguém, e Ali é merecedor das melhores palavras, não cabe fazer comparações a outrem. Ainda mais quando há, entre os envolvidos na comparação, um morto. A morte tende a atribuir qualidades de valor incomensurável. Quanto a Pelé... A proximidade que temos ao Rei do futebol contribui para que tenhamos acesso a um sem número de fatos, que o torna mais mortal e menos divino. Ao resgatarmos tudo o que ele representou, e ainda representa, para os povos de todo mundo, sua história fora do campo, porque em campo é covardia, teríamos orgulho do simples fato de sermos contemporâneos a ele. O homem que parou guerras, sim, no plural. Quantas mortes foram evitadas. Ou na pior da hipótese, se é que é podemos atribuir a palavra pior quando falamos disso, quantas vidas foram prolongadas, por conta disso. O homem que, várias vezes, precisou voltar a campo, após ter sido substituído e/ou expulso, a pedido daqueles que estavam ali ‘só pra ti ver’. Que jamais recusou um autógrafo a qualquer ser. E que, talvez por isso, trate Pelé como uma ‘entidade’ fora do Edson, que certamente aceitaria o cansaço como um impeditivo para tal. O homem que enfrentou ditadores, sem que para isso, precisasse explicitamente atirar contra eles, suas armas, eram os pés, mas as decisões eram divinas. Ou será que Medici e Pinochet, para citar apenas dois deles, acataram de bom grado as decisões do Rei durante o auge da repressão militar brasileira e chilena? O homem que derrubou seus adversários no campo, sem que fosse necessário tirar uma única gota de sangue de nenhum deles, os nocauteando com gols. O ser humano que foi recebido por todos os maiores nomes do mundo, em todos os ramos da atividade, dos séculos XX e XXI, e cujo nome, na verdade, apelido, Pelé, se transformou em excelência, seja qual for a área de atuação, contribuiu, e muito para que Ali, pudesse, ser considerado, o Pelé do Boxe. E tenho dito.



 

 

Meu Querido Mestre

Autor: José Renato - 21/04/2016   Comentários Nenhum comentário

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Sou engenheiro e desenvolvi toda minha vida profissional alinhado com muito dos preceitos morais de minha família, que sempre valorizou muito fortemente a moral e, sobretudo a honestidade sobre todas as ações que deveria desenvolver. Desta forma pode parecer estranho identificar uma importância tão grande e um querer bem tão intenso com relação a alguma pessoa, com quem você nunca teve contato. No entanto, da mesma forma que houve uma enorme consternação popular, e até mundial, com relação ao nosso inesquecível Ayrton Senna e seu trágico desaparecimento em 1994, eu me sinto completamente abalado com a morte de Telê Santana. Mesmo sem saber sequer da minha existência, Telê exerceu forte influência em minha vida, apaixonado que sou por futebol desde os primeiros anos de minha vida, algo que trago principalmente do meu avô, Felipe, e do meu pai. Durante a Copa de 1982, aos 11 anos de idade, eu tinha Telê como aquele Anjo que traria “para mim” o título mundial, naquela época aquilo era tudo o que eu queria. A perda daquele título me fez chorar pela única vez por causa do futebol, o que bem lembro foi motivo de crítica de pessoas da minha própria família que não enxergavam importância alguma naquilo. Talvez eles tivessem razão, no entanto a única coisa que me consolou foi ouvir a voz de Telê após aquela derrota. Cerca de 10 anos depois, eu estava no Morumbi, nas semifinais da Taça Libertadores no jogo entre São Paulo e Barcelona, do Equador, quando aquela relação de cumplicidade com este solene desconhecido se aflorou novamente, no momento que um jogador chamado Rinaldo, que atravessava uma fraca fase técnica, fez um gol, depois de jogada ensaiada, e correu para agradecer Telê. O Morumbi não estava cheio, e aquela cena me chamou mais atenção que tudo, pois mostrava o quando aquele Senhor era querido como pessoa, em um meio tão discutível como era o futebol já desde aquela época. Obviamente que como são-paulino me recordo sempre de toda alegria que Telê ajudou a trazer a partir dos títulos conquistados pelo meu time, no entanto, assim como muitos deixaram de assistir as corridas de fórmula 1 após a morte de Senna, também deixei mesmo que instintivamente, a ir aos jogos do São Paulo , após seu afastamento em 1996. Claro que não deixei de ser são-paulino, no entanto parece que desde aquele momento todos nós torcedores tricolores ficamos meio órfãos. Lembro que naquela época Telê passou a ter uma coluna em um jornal aqui em São Paulo . Mais ou menos próximo do problema de saúde que teve, mandei um e-mail para ele, pedindo que só voltasse a trabalhar quando tivesse com sua saúde restabelecida. Possivelmente ele nunca recebeu esta minha mensagem, no entanto a minha torcida, mesmo que de longe e de um desconhecido, sempre foi para o seu bem estar, como uma humilde forma de agradecimento pelo que ele representou na formação de um desconhecido como eu. Hoje todos nós, torcedores brasileiros, também estamos órfãos.



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